top of page

Conservas de peixes do rio.

Um novo mundo de sabores para descobrir.

Por Vera Lúcia Marques

15 de Abril, 2021

As conservas, nomeadamente em lata e de peixes de mar, são um produto incontornável nas cozinhas dos portugueses e fazem também parte da cultura industrial e gastronómica do país. Menos conhecidas e ainda um território por explorar estão as conservas de peixe do rio, com destaque para a premiada empresa Bem Amanhado, com o sável a ser a próxima aposta.

Desde há mais de século e meio que os alimentos em conserva fazem parte do receituário gastronómico português. Especialmente o peixe de mar em lata, o primeiro a ser “trabalhado” desta forma. Atualmente algumas das especialidades constam da listagem de Produtos Tradicionais Portugueses, da Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural, tutelada pelo Ministério da Agricultura.

​

A criação da primeira empresa de conservação de peixes em Portugal remonta ao ano de 1853, em Vila Real de Santo António, no Algarve. E apesar de os alimentos em conserva serem uma criação do francês Nicolas Appert, nascida da necessidade de alimentar os militares na frente de batalha durante as Guerras Napoléonicas, o grande impulso no consumo só ocorreu durante as duas Grandes Guerras, época em que Portugal expandiu a produção, exportando para os países europeus em conflito, que assim alimentavam os soldados por serem fáceis de transportar, terem bom valor nutritivo e uma validade longa.

60

A continuação do crescimento do negócio deu origem ao aperfeiçoamento das técnicas de conservação, que se foram tornando cada vez mais sofisticadas. E muito rapidamente os “enlatados” deixaram de ser meramente ração de combate, para passarem a marcar presença na casa dos portugueses. E não só. As marcas portuguesas estão representadas um pouco por todo o mundo, já que anualmente, e atualmente, cerca de 70% da produção é para exportação, o que equivale a cerca de 43 mil toneladas anuais. O atum, a cavala e a sardinha são os peixes com mais saída para o exterior, por cá a variedade é muito mais extensa: desde as ovas, passando pelo polvo e as lulas. Todos eles conservados ao natural, em óleo, azeite, tomate… enfim, uma variedade quase infinita para corresponder aos diversos gostos.

​

Mais recentemente entram no mercado as conservas de peixe de rio, um novo mundo de sabores à espera de ser descoberto. Carpa, lúcioperca, achigã e barbo, são as referências que, para já, a empresa Bem Amanhado, com sede em Castelo Branco, desenvolve, com métodos artesanais e tradicionais da cozinha portuguesa e tendo em conta uma pesca artesanal e sustentável. “Contribuir na recuperação e incremento da arte piscatória fluvial de pequenas populações ribeirinhas, assim como de uma recuperação e de registo de património cultural e gastronómico português de iguarias de peixe do rio”, é o objectivo da marca, desenvolvida por Leonel Barata, que em 2019 ganhou a terceira edição do Prémio Food Fab Lab.

​

​O próximo passo é trabalhar com peixes migratórios. Em maio é lançado o sável. Para já pode deliciar-se com belos petiscos vendidos em lata como Caldeta de Barbo, em azeite virgem extra, Carpa fumada, em azeite virgem extra biológico e Patê de peixe do rio ou em embalagem de vidro, Carpa grelhada, em azeite virgem extra, Escabeche de Lúcioperca, em azeite virgem extra, Caldeta de Barbo, em azeite virgem extra e Achigã assado no forno, em azeite virgem extra.

Risotto de Carpa

© Rotas do Peixe do Rio | website desenvolvido por Hajapetite

​

​

bottom of page